11s Club - Novembro 2010

Bem, eu participei desse último 11s Club. Para quem não conhece, é um site de competições onde eles dão um trecho de áudio e você cria uma animação a partir dele.

Esse desafio usou um trecho de diálogo de uma cena de "Antes Só do Que Mal Acompanhado" (originalmente "Planes, Trains and Automobiles"), um filme de 1987 com Steve Martin e John Candy.
Nessa parte, o personagem de Martin está enfurecido, acusando o personagem de Candy de ter roubado o seu cartão de crédito.

A mudança brusca de emoções foi a idéia básica que usei. Já que o personagem está enfurecido durante a cena inteira, o meio que encontrei para fazer isso foi mudando o alvo de sua raiva. Tentei fazer uma brincadeira com um psiquiatra mais doido que os pacientes.

Aqui estão uns animatics:


Tentei usar o Generi Rig (por Karl Erlandsen), mas a IK (cinemática inversa) não estava funcionando na minha versão do Blender (2.55 beta).

Então, no final, os rigs que foram usados: Max ("Max in Blender", por cesio) - o homem - e Pedro (por waylow) - o cão.
Uma pena que o Max não tinha rig facial. Tinha algumas shapekeys na malha da cabeça, mas de novo não estava funcionando no Blender. Para ter um mínimo de expressões faciais, eu tive que refazer pelo menos as shapekeys para as sombrancelhas e para a boca.
E o gato da idéia original se tornou um cão (pois eu já tinha o Pedro e nenhum rig de gato).

Após 2 dias de animação, o resultado não foi como eu queria, mas saiu muito melhor do que eu esperava.


Atualização:
A minha entrada do 11sClub de novembro de 2010 está aqui. Analisando agora com calma e após ler os comentários da comunidade, deu para observar o seguinte:


  • faltou peso: os movimentos estão muito suaves e duros. Há pouca sensação de gravidade e agilidade nos movimentos, ilustrando a emoção do personagem;
  • faltou profundidade: o mundo não parece real, está bidimensional. Há pouca sensação de volume. Principalmente porque a câmera está totalmente de perfil, um péssimo ângulo;
  • a câmera está muito estática. Eu deveria ter usado close-ups, e 3/4, enfatizando as expressões dos personagens. A visibilidade dos movimentos ficou prejudicada;
  • como os movimentos estão ruins e pouco visíveis, nada fez sentido. A história ficou confusa;
  • faltou um cenário (um básico, que fosse. Um chão, pelo menos. Um simples plano já seria suficiente);
  • por último, e talvez o mais importante: os pontos fracos chamaram mais atenção do que os pontos fortes.


Esse é o maior dilema para o animador: o teu trabalho é bem-feito se não for perceptível.

Eu lembro sempre do uniforme do Sr. Incrível jogado no lixo pela estilista Edna Mole, no filme "Os Incríveis": o simples tecido se deformando e caindo na lixeira levou dias para ser feito - e mal é visto durante uns 2s.

Uma pequena falha por um breve instante pode tirar a credibilidade do filme inteiro. A animação sobrevive por causa da "magia" criada, que faz o espectador acreditar que aquilo é "real". Se um elemento destoa dos outros (se movimentando como não deveria, por exemplo), quebra a coerência daquele universo, e o "encanto" se desfaz - o espectador percebe que aquilo é "irreal" e perde o envolvimento com a história.

No caso dessa animação, o cachorro destoa em todos os aspectos: nas cores (amarelo e vermelho vibrantes, contra os tons pastéis do resto...), no tamanho, na proporção, no estilo e na animação (devido ao prazo, ele mal foi animado).
E para fechar com chave de ouro, ele é um dos personagens principais, que aparece no final (a memória mais recente do espectador) e no momento de clímax da história (quando o doutor "enlouquece").

Enfim, muitíssimo proveitoso. Aprendi muitas coisas! Espero poder participar de outras edições do 11sClub (e aprender muito mais) e recomendo para todos (os animadores, claro)!

1 comment:

  1. Grande Erick! Obrigado!
    Pretendo postar o passo a passo de outros trabalhos, com mais detalhes. Sempre acho interessante saber como as coisas acontecem. Principalmente para mim mesmo - lembrar do que eu fiz e o que errei, para fazer diferente. Ajuda a organizar as idéias!
    Abraço!

    ReplyDelete